Congresso derruba veto da PL da Dosimetria e corrige distorções no sistema penal
- Felipe Lima

- 11 de mai.
- 2 min de leitura
A derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria (PL 2.162/2023) pelo Congresso Nacional marca um novo capítulo no debate sobre justiça e aplicação das penas no Brasil.
Com 318 votos na Câmara dos Deputados e 49 no Senado Federal, a decisão foi clara: existe a necessidade de corrigir distorções no sistema penal sem comprometer o combate ao crime. O tema ganhou força especialmente por envolver condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro, o que trouxe novamente à discussão a importância da proporcionalidade e do equilíbrio na punição.
O que está em jogo na dosimetria da pena
A dosimetria é o mecanismo utilizado para definir o tempo de condenação de um réu. Quando aplicada de forma desproporcional, pode gerar penalizações que ultrapassam o que seria considerado justo dentro da lei.
É justamente esse ponto que a proposta busca ajustar. A medida permite revisões em casos específicos, com foco na correção de excessos, sem alterar a base estrutural do sistema penal.
Crimes graves não foram afetados
Um dos principais pontos que sustentaram a derrubada do veto, e que também é reforçado pelo Delegado Palumbo, é que não há qualquer flexibilização para crimes graves.
Permanecem com tratamento rigoroso:
Crimes hediondos
Feminicídio
Organização criminosa
Milícia privada
Isso significa que a proposta não abre margem para impunidade nem reduz a resposta do Estado contra quem representa risco real à sociedade.
A posição do Delegado Palumbo segue uma linha coerente com sua atuação na segurança pública: corrigir injustiças sem enfraquecer a lei.
Ao comentar a decisão, ele destacou a importância de garantir ampla defesa e justiça em casos onde houve desproporcionalidade nas penas, especialmente no contexto dos atos de 8 de janeiro. Ao mesmo tempo, reforçou que não há qualquer tolerância com crimes graves, que continuam sujeitos às punições mais rígidas previstas na legislação.
Essa visão parte de um princípio central: um sistema penal eficiente precisa ser firme, mas também justo.
Justiça e segurança não são opostos
O debate em torno do PL da Dosimetria evidencia uma tensão recorrente no país: como equilibrar rigor penal e garantias legais.
Na prática, a proposta aprovada pelo Congresso busca exatamente esse ponto de equilíbrio. Para o Delegado Palumbo, não se trata de escolher entre punir ou garantir direitos, mas de assegurar que a punição seja aplicada na medida correta.
Excessos não fortalecem a justiça. Assim como a impunidade também não.
O impacto da decisão
Com a derrubada do veto, a tendência é que haja revisão de penas consideradas desproporcionais, novos debates no Judiciário sobre a aplicação da dosimetria e um reforço do papel do Congresso na condução de temas sensíveis.
Mais do que uma mudança técnica, a medida reacende uma discussão ampla sobre o funcionamento do sistema penal brasileiro.
Conclusão
A retomada do PL da Dosimetria pelo Congresso sinaliza uma tentativa de ajuste fino na aplicação das penas no Brasil.
Na leitura defendida pelo Delegado Palumbo, o caminho passa por um princípio simples: nem excesso, nem impunidade.
Um sistema penal forte é aquele que pune com rigor quem deve ser punido e, ao mesmo tempo, corrige distorções quando elas acontecem.

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