Fuzis começam a ser usados pela GCM na cidade de São Paulo

Segundo prefeitura, 240 guardas foram treinados para usar armas longas


SÃO PAULO

Guardas-civis metropolitanos podem circular com fuzis e carabinas na capital paulista desde a noite desta segunda-feira (18). A cerimônia de entrega do armamento ocorreu na Iope (Inspetoria Regional de Operações Especiais), da GCM, no Bom Retiro, centro da cidade. Segundo a Prefeitura de São Paulo, 240 agentes foram treinados, até o momento, para o uso de armas longas. "Há ainda previsão de que outros 600 profissionais sejam habilitados até o final deste ano", diz trecho de nota enviada na noite deste terça (19) à reportagem. Orçada em R$ 400 mil, a compra do arsenal foi feita com recursos destinados por meio de uma emenda parlamentar do vereador Delegado Palumbo (MDB). Especialistas em segurança pública ouvidos na ocasião eram contra a compra, feita pela gestão Ricardo Nunes (MDB). A Defensoria Pública do Estado de São Paulo encaminhou à época uma representação com pedido de liminar para o reconhecimento da inviabilidade da emenda que permitiu a compra de 20 fuzis e dez carabinas. Guardas-civis metropolitanos com fuzis após cerimônia de entrega do armamento - André Marchiori/Divulgação A instituição afirmou nesta terça, por meio de sua assessoria de imprensa, aguardar uma decisão do TCM (Tribunal de Contas do Município) a respeito da ação movida no ano passado. Além disso, afirmou que prepara uma representação do caso ao Ministério Público de São Paulo. Procurado, o TCM não se manifestou até a publicação desta reportagem. Autor da emenda, o vereador Delegado Palumbo afirmou à Folha que, da mesma forma que "bandidos andam armados" com fuzis, agentes de segurança precisam se defender usando o mesmo tipo de armamento. "Bandido não escolhe farda, ele vai atirar, não importa se é Polícia Civil, Militar, ou GCM. Ele verá [a força de segurança] como uma ameaça. Só dá para combater bandido de fuzil também com fuzil", argumentou. Por ter sido policial antes da atividade parlamentar, Palumbo afirmou já ter vivenciado uma situação de troca de tiros em que os criminosos usavam fuzis. "Não dá para se defender [nestes casos] usando um [revólver calibre] 38." Ele disse que pretende encaminhar mais pedidos de verbas para a compra de armas para a guarda, incluindo fuzis.